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Idosa de 92 anos morre com Covid-19 depois ter sido homenageada por cura em hospital do Rio

Por OSASCO RENOVE em 24/07/2020 às 17:49:26

 

No mesmo dia da alta, 1º de julho, os familiares da idosa fizeram um teste para a doença em uma clínica particular.

O resultado foi negativo para Covid-19. "Acreditamos que ela estava recém-infectada e o laudo não constatou a doença", disse a filha.

Uma semana depois da alta, a idosa voltou a se sentir mal e procurou novamente o Hospital Evandro Freire. Os médicos informaram à família que era a Covid-19. Mais uma vez, ela foi internada. Um dia depois, a senhora foi transferida para o Hospital São José, no município de Duque de Caxias, na baixada fluminense, sem que a família fosse avisada.

"Transferiram minha avó, que tinha Alzheimer, sem que a família soubesse. Ela não respondia por si. Meu primo jogou no Google "hospital de campanha para o tratamento de Covid" e achou o Hospital São José. Aí que ele foi até lá para saber sobre ela", contou Gabriella Telles, 25, neta de Rosa.

Após ficar internada nove dias no Hospital São José, ela morreu. Entre as causas da morte, o atestado de óbito aponta Covid-19.

O corpo de Rosa foi enterrado na quarta (22), apenas com a presença de poucos familiares. "Está sendo muito doloroso. Ainda não sei o que vamos fazer, nada vai trazer minha mãe de volta", disse Eliene ao ser questionada se vai processar o município.

Segundo Gabriella, depois que a avó foi para casa quatro pessoas da família foram infectadas pelo novo coronavírus, entre elas o marido de Rosa, Edvaldo Pereira dos Santos, 93. "Meus pais foram até a casa dela para ajudar com os cuidados dela e do meu avô e também pegaram a doença", conta.

Lúcido, Edvaldo estava muito preocupado com a mulher e os filhos. Os dois fariam 70 anos de casados no dia 29. Rosa também deixou oito filhos e sete bisnetos. "Ainda nem conseguimos respirar e meu avô também está doente", afirmou Gabriella.

PROTOCOLOS

Por meio de nota, a direção do Hospital Municipal Evandro Freire informou que não soube da morte da paciente, internada em Duque de Caxias, mas se solidariza com a família nesse momento de dor.

"A direção da unidade compreende as dúvidas da família, mas deixa claro que todos os protocolos foram seguidos e não é possível avaliar onde dona Rosa foi infectada. Cabe lembrar que há mais de três meses foi decretada a transmissão comunitária da Covid-19 no Rio –quando é impossível saber a origem do contágio", informou a nota.

Ainda conforme a direção, a idosa deu entrada no hospital em 24 de junho, apresentando sintomas compatíveis com Covid-19, como comprometimento dos pulmões. Exames realizados, incluindo tomografia, indicavam que ela poderia estar infectada pelo vírus e, diante disso, foi tratada como paciente com suspeita da doença.

"O tratamento de dona Rosa seguiu rigorosamente o protocolo do Ministério da Saúde –que determina que todo caso suspeito seja tratado como tal, independentemente do resultado do exame específico para detectar o vírus", diz outro trecho da nota.

Ainda segundo a direção do hospital, a paciente teve alta sete dias depois da internação porque apresentava melhora em seu quadro clínico e já tinha completado 14 dias do início dos sintomas. Durante o tempo em que ficou no Evandro Freire, Rosa esteve na enfermaria, local destinado aos pacientes com quadros menos graves.

"A melhora da Dona Rosa foi comemorada, sim, como uma vitória sobre a Covid-19, doença para qual estava sendo tratada, num gesto de carinho por parte da equipe de profissionais de saúde que cuidou da paciente durante o tempo que ela ficou internada", afirmou a direção do hospital.

A Prefeitura de Duque Caxias informou, por meio da Secretaria de Saúde e Defesa Civil, que Rosa deu entrada no Hospital Municipal São José, exclusivo para pacientes com Covid-19, através do Serviço Estadual de Regulação. Na unidade, foi realizada uma tomografia que foi indicativa de diagnóstico compatível com a doença, assim como o exame clínico. A tomografia evidenciou acometimento pulmonar de 30% a 50%, necessitando de oxigênio.

Ainda segundo a nota da prefeitura, a paciente teve piora clínica e respiratória progressiva, sendo necessária intubação orotraqueal e ventilação mecânica, mantendo gravidade crescente de seu quadro clínico desde então, até sua morte.

Fonte: Banda B

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