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Taxa de desemprego "real" seria de 21,5% se não fosse o desalento recorde, dizem economistas

Por OSASCO RENOVE em 07/08/2020 às 14:57:33

 

 

Com a pandemia e o isolamento cresceu o contingente de brasileiros considerados fora da força de trabalho, que são aqueles não querem trabalhar ou querem mas não vão atrás de emprego. No trimestre, esse grupo passou a reunir 77,8 milhões de pessoas, número 156% superior ao verificado no mesmo período do ano anterior.

Isso explica por que, mesmo com a destruição de 8,9 milhões de postos de trabalho, o número de desempregados ficou estável em relação ao trimestre anterior, em 12,8 milhões de pessoas. Na outra ponta, cresceu em 5,7 milhões de pessoas o grupo dos desalentados, aqueles que gostariam de trabalhar mas não procuraram emprego por acreditarem que não há vagas na cidade onde residem.

Segundo o IBGE, a pandemia mudou inclusive o padrão de respostas sobre o motivo do desalento: enquanto no primeiro trimestre a maior parte dos entrevistados respondia que não procurava porque imaginava que havia trabalho na localidade onde residiam, desta vez houve um contingente maior na coluna "outros motivos", que incluiu problemas relacionados à pandemia.

"A taxa de desemprego teve alta muito limitada porque as pessoas deixaram de procurar emprego no período. O contingente dos que procuram está muito abaixo da média histórica", diz o economista Cosmo Donato, da LCA Consultores.

Ele estima que, se a força de trabalho (que inclui os ocupados e aqueles que buscam vaga) fosse igual á de fevereiro, a taxa seria de 21,5%. Com base no mesmo princípio, o pesquisador do FGV-Ibre Daniel Duque fala em uma taxa de desocupação atual em torno de 21,4%.

Seria, de longe, a maior taxa de desemprego desde que o IBGE começou a fazer a pesquisa em seu formato atual. Até agora, o maior indicador são os 13,7% verificados no primeiro trimestre de 2017, quando o país vivia o auge da crise econômica iniciada em 2014.

A principal diferença agora é que as medias de isolamento eliminaram a principal alternativa de sustento para quem perdia o emprego em crises anteriores: lançar-se no mercado informal. Com as restrições à circulação de pessoas, a informalidade também atingiu seu menor patamar no segundo trimestre.

Os economistas acreditam que o mercado informal deve mostrar alguma recuperação com o relaxamento do isolamento pelo país e com o fim do auxílio emergencial. O Ministério da Economia espera um repique da taxa de desemprego em setembro e diz que, por isso, o país tem que reavaliar seus programas sociais.

Donato diz temer, porém, pelo mercado de trabalho formal, que também mostrou recorde negativo no número de trabalhadores com carteira assinada durante o segundo trimestre, segundo a pesquisa do IBGE.

"O fechamento de vaga não vai ser mais tão intenso, até porque o que nos primeiros três meses de pandemia o informal não podia ir para a rua. Então vai ter uma recuperação nesse aspecto", afirma. "Mas chama atenção o cenário do trabalho formal. Tem indícios de que talvez a questão do emprego com carteira assinada esteja muito ruim."

Ele lembra que as medidas de apoio ao emprego anunciadas pelo governo, como suspensão dos contratos de trabalho ou redução da jornada têm prazo de validade e, depois disso, os empregadores deverão ter dificuldades para manter seus funcionários.

"Nos próximos meses vai ter esgotamento das medidas e não sabemos quantas empresas vão honrar a cláusula que determina a manutenção do emprego por um prazo equivalente ao benefício", comenta o economista.

Também prevendo um aumento da taxa de desemprego com mais gente na rua nos próximos meses, o professor da UFRJ João Luiz Maurity Saboia, destaca que essa crise é bem diferente de outras vividas anteriormente no país e está ensinando uma reação ao mercado de trabalho diferenciada de tudo o que os especialistas conheciam do passado.

"É uma crise diferente, sanitária, associada a uma doença em que as pessoas precisam mudar o comportamento, tem uma incerteza e muita coisa nova", diz.

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Fonte: Banda B

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