Governo dá aval a compra de vacinas privadas contra Covid e envolve fundo de investimento

Governo dá aval a compra de vacinas privadas contra Covid e envolve fundo de investimento

Na carta, revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem, o governo elenca algumas condi√ß√Ķes, como por exemplo que as companhias n√£o podem comercializar os imunizantes e devem aplic√°-los de gra√ßa em seus funcion√°rios. Além disso, deve haver um sistema de rastreamento das vacinas.

O assunto foi debatido com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na semana passada e ele autorizou a liberação de compra pelas empresas. Para conseguir efetivar a aquisição, as companhias ainda precisam conseguir uma autorização para importação e para uso emergencial da vacina pela Anvisa.

Segundo integrantes do governo, o Executivo decidiu n√£o se opor à compra porque o lote que é negociado pelas firmas privadas é muito mais caro do que o que j√° foi adquirido pelo Ministério da Saúde.

A dose, no acordo construído pelas empresas est√° na faixa de US$ 23,79, valor muito acima do praticado no mercado.

Além disso, o governo tem a expectativa de que as empresas doem ao Ministério da Saúde mais da metade do que ser√° adquirido. Ou seja, o governo pode receber mais de 16,5 milh√Ķes de doses, suficiente para imunizar 8,25 milh√Ķes de pessoas.

Havia no Executivo quem discordasse da hipótese de as firmas vacinarem funcion√°rios antes de o SUS concluir a imuniza√ß√£o de idosos, mas essa vis√£o foi vencida.

Curitiba – Foto: Daniel Castellano/SMCS

Embora grandes empresas tenham desistido de participar de um grupo que busca a comprar as vacinas, outras companhias reuniram-se nesta segunda (25) e insistem na negociação com o governo.

O encontro ocorreu por videoconferência e teve 72 participantes. Segundo pessoas à frente da articula√ß√£o, o número de companhias interessadas em realizar a aquisi√ß√£o do imunizante tem aumentado a cada hora.

Na reuni√£o, F√°bio Spina, diretor jurídico da Gerdau, considerado o coordenador da negocia√ß√£o, pediu a cada empresa que se manifeste até esta ter√ßa-feira (26) sobre a inten√ß√£o de realizar a compra ou n√£o.

Ainda no encontro, foram discutidos termos que poderiam ser oferecidos ao Ministério da Saúde para viabilizar a compra.

Uma ideia, por exemplo, é que as empresas fiquem com um lote pequeno das vacinas e doem o resto ao SUS.

Um c√°lculo é que com pouco mais de 1% do total de doses seria possível imunizar os funcion√°rios de todos interessados. O restante ficaria com o governo federal.

Um executivo que est√° à frente da negocia√ß√£o garante que as tratativas com o governo est√£o caminhando bem e por isso as empresas est√£o esperan√ßosas com a possibilidade de compra.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Depois que a Folha de S. Paulo publicou nesta segunda a inten√ß√£o de empresas privadas adquirirem as vacinas, grandes firmas manifestaram-se dizendo que apenas foram convidadas a participar do grupo e declinaram o convite ou ent√£o desistiram de participar. Entre elas est√£o Ambev, Itaú, JBS, Santander, Vivo e Vale.

Segundo empres√°rios, a Ambev foi contactada pelo telefone, mas n√£o quis participar de novas conversas. J√° o Itaú, segundo a reportagem apurou, desistiu depois de avaliar que a repercuss√£o do caso foi negativa para a imagem da empresa.

Outras, como a Vale, n√£o concordaram com os termos que estavam sendo debatidos e defendiam que as companhias doassem 100% das doses para o governo.

Apesar da debandada de gigantes, articuladores da negocia√ß√£o garantem que v√°rias empresas buscaram aderir à iniciativa.