Uso de remédio para artrite no combate à covid pede mais estudos, apontam especialistas

Uso de remédio para artrite no combate à covid pede mais estudos, apontam especialistas

O Tofacitinibe, vendido pelo nome comercial Xeljanz, agiu na tempestade de citocinas, rea√ß√£o exacerbada do sistema imunológico que pode afetar o funcionamento de órg√£os vitais e até levar à morte. Ele tem a capacidade de modular o sistema imunológico, evitando o processo.

Biomédica e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mellanie Fontes-Dutra diz que ainda é necess√°rio ter mais dados e estudos.

“Se a gente for olhar o número de pacientes, 289, ele é baixo. É um estudo preliminar, que precisa de mais dados. Ainda n√£o é algo que poderíamos pensar em trazer para o País. Teria de esperar o amadurecimento dos dados.”

Mesmo assim, ela diz que é uma notícia positiva para a ciência. “O dado e a redu√ß√£o s√£o interessantes. E é um estudo feito no Brasil. É importante celebrar a parceria do Einstein com a Pfizer.”

Outro ponto destacado pela pesquisadora é que a popula√ß√£o n√£o deve interpretar o resultado como uma certeza de que o medicamento é um tratamento para a doen√ßa. “Tem de tomar muito cuidado para que n√£o fa√ßa com que os negacionistas tratem esse remédio como fazem com a ivermectina. N√£o é para extrapolar para casos leves e muito menos para preven√ß√£o da doen√ßa.”

Isso j√° tinha sido alertado por Ot√°vio Berwanger, diretor da Academic Research Organization (ARO) do Einstein, em entrevista ao Estad√£o nesta quarta-feira, 16. “A medica√ß√£o foi utilizada em pacientes que n√£o tinham contra-indica√ß√Ķes, na dose correta, com acompanhamento di√°rio dos pesquisadores e em ambiente controlado e no hospital. Neste momento, est√° saindo o resultado da pesquisa.”

A quest√£o também foi abordada pela diretora Médica da Pfizer Brasil, M√°rjori Dulcine.”É muito importante ressaltar que o medicamento n√£o foi aprovado ou autorizado para uso por nenhuma agência regulatória no mundo para o tratamento na covid-19, uma vez que o estudo publicado é o primeiro randomizado, multicêntrico a avaliar o seu impacto no tratamento da doen√ßa. Sua eventual utiliza√ß√£o no arsenal anticovid depender√° da extensa avalia√ß√£o desses dados por parte dos órg√£os reguladores e autoridades de saúde.”

Médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de S√£o Paulo, Gonzalo Vecina diz que a medica√ß√£o foi adotada na fase 2 da doen√ßa, em um momento em que o paciente n√£o estava em quadro leve nem grave.

Ele avalia que, caso seja adotada no futuro, ser√° necess√°rio avaliar se o Brasil teria condi√ß√Ķes financeiras de incorporar a medica√ß√£o. “Tem de entrar em uma fase com um número grande de pacientes. Ent√£o, vai ter o impacto de pacientes que podem ser potencialmente elegíveis e, embora a Pfizer n√£o tenha falado em pre√ßo, o fato é que cada caixa custa R$ 5 mil. Ainda é muito caro e é fora da realidade de qualquer País.”

Ainda de acordo com Vecina, o fato de o medicamento já ter sido incorporado ao SUS para artrite reumatoide não mudaria a situação, pois uma nova análise teria de ser feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Anvisa

Até maio deste ano, a Agência Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria (Anvisa) j√° aprovou o uso emergencial de três op√ß√Ķes de tratamento medicamentoso para pacientes com a covid-19.

Em mar√ßo, foi aprovado o antiviral Rendesivir, do laboratório Gilead. No mês seguinte, foi a vez da associa√ß√£o entre anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe, das farmacêuticas Regeneron e Roche.

No mês passado, mais um coquetel de anticorpos monoclonais foi liberado pela agência: a combina√ß√£o de banlanivimabe e etesevimabe, da Eli Lilly do Brasil.