Após consolidação de vacinas, corrida agora é pelo melhor remédio anticovid

Desse modo, podem ser administrados em pacientes com comorbidades antes mesmo da contamina√ß√£o, a depender da orienta√ß√£o médica. “Os anticorpos monoclonais atuam como os próprios anticorpos do nosso organismo. Com a diferen√ßa que eles s√£o selecionados por sua forte capacidade de combater o vírus e, por isso, s√£o produzidos como medicamentos”, explica o professor do Instituto de Física de S√£o Carlos da Universidade de S√£o Paulo (USP) Adriano Andricopulo. J√° h√° anticorpos monoclonais aprovados no Brasil.

Segundo ele, por serem derivados de pessoas contaminadas ou mesmo de camundongos expostos a antígenos do Sars-CoV-2, os anticorpos monoclonais s√£o agentes biológicos que provêm imunidade passiva. No caso da vacina√ß√£o, h√° a imunidade ativa, j√° que é o próprio corpo que produz a prote√ß√£o. O problema é que em alguns casos a vacina√ß√£o n√£o é suficiente para desencadear a produ√ß√£o desses anticorpos, a exemplo de alguns idosos ou imunossuprimidos. Nestes casos, os anticorpos monoclonais têm papel importante.

Bons resultados

Concorrente direta da Pfizer na corrida das vacinas, a AstraZeneca informou semana passada que seu coquetel de remédios AZD7442 é capaz de reduzir em 83% o risco de desenvolvimento de covid-19 sintom√°tica ao longo de um período de seis meses. Para diminuir hospitaliza√ß√Ķes e mortes, a efic√°cia seria de 88%. O resultado foi obtido após estudo em mais de 5 mil participantes, que receberam o coquetel de remédios antes mesmo de serem contaminados.

O AZD7442 é uma combina√ß√£o de dois anticorpos monoclonais de longa a√ß√£o. Foi enviado pedido de uso emergencial à agência reguladora americana em outubro. Se aprovado, a AstraZeneca negociou o fornecimento de 700 mil doses do coquetel aos Estados Unidos. A empresa n√£o informou sobre planos de pedir registro no Brasil.

Como diferencial, a farmacêutica anglo-sueca refor√ßa que o medicamento pode ser complementar – uma vez que tem como foco pessoas imunocomprometidas, sujeitas a n√£o responder bem às vacinas, e poderia ser usado por pacientes de alto risco antes mesmo de uma eventual infec√ß√£o.

O AZD7442 poderia fornecer avan√ßo significativo sobretudo para o controle da doen√ßa em pessoas sujeitas a dar respostas inadequadas às vacinas e em pacientes que est√£o tratando doen√ßas como o c√Ęncer. Esses grupos, refor√ßa Andricopulo, correspondem a cerca de 2% da popula√ß√£o mundial.

No Brasil

H√° seis medicamentos com uso emergencial aprovados pela Anvisa para a covid-19 no País, além de uma sétima solicita√ß√£o em an√°lise. Mais da metade desses remédios s√£o anticorpos monoclonais, administrados por inje√ß√£o intramuscular. Diferentemente da vacina√ß√£o, que confere imunidade ativa, eles provêm a chamada imunidade passiva – imitando as defesas naturais do organismo e atuando contra a proteína spike do Sars-CoV-2.

Desenvolvido pela farmacêutica GSK, o sotrovimabe demonstrou redu√ß√£o de 79% em hospitaliza√ß√Ķes ou do risco de morte por covid, informou a fabricante. Segundo a empresa, o anticorpo monoclonal seria eficaz inclusive contra variantes como a Gama e a Delta, consideradas mais transmissíveis.

J√° o Regn-Cov2, fabricado pela Regeneron em parceria com a Roche, reduziu a chance de desenvolver covid sintom√°tica em 81,3%. Os dados foram disponibilizados em estudo clínico publicado na revista científica New England Journal of Medicine.

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Foto: Peter Ilicciev / Fiocruz

Segundo a Roche, a Conitec est√° avaliando as diretrizes para tratamento ambulatorial de pacientes com covid-19, o que contempla, entre outros medicamentos, os anticorpos monoclonais. “A Roche refor√ßa que tem priorizado, globalmente, o fornecimento centralizado aos Ministérios de Saúde”, disse a farmacêutica. Desse modo, o Regn-Cov2 ainda n√£o est√° disponível no Brasil nos sistemas público ou privado.

Produzido pela Celltrion Healthcare, o regdanvimabe é um remédio que, segundo estudos clínicos de fase 3 conduzidos pela farmacêutica, reduz o risco de progress√£o da covid-19 em 70%. Desenvolvido especificamente para o tratamento da doen√ßa, o medicamento deve ser administrado em até sete dias após o início dos sintomas. Em outubro, a farmacêutica brasileira Biomm, que também busca aprova√ß√£o da vacina contra covid-19 da CanSino com a Anvisa, anunciou acordo com a Celltrion para distribuir o regdanvimabe no País.

O coquetel da farmacêutica Eli Lilly é outro aprovado pela Anvisa. Após estudos de fase 3, observou-se que ele reduziu o risco de hospitaliza√ß√Ķes e morte em 87%, informou a fabricante.

Somam-se a esses quatro anticorpos monoclonais o Remdesivir, antiviral injet√°vel do laboratório Gilead, que tem benefício marginal no controle do vírus, e o Olumiant, inibidor seletivo da Eli Lilly, também usado no tratamento da artrite reumatoide. Segundo a fabricante, o remédio “potencialmente reduz em 38% a mortalidade de pacientes hospitalizados com covid-19”.

An√°lise

No caso do tofacitinibe, medicamento da Pfizer, um estudo clínico conduzido pela farmacêutica em parceria com o Hospital Albert Einstein aponta que ele poderia mitigar a inflama√ß√£o sistêmica e alveolar em pacientes com pneumonia resultante de covid. O pedido para uso emergencial deste que seria o sétimo remédio anticovid foi recebido pela Anvisa em julho e ainda est√° em an√°lise.

Nenhum dos remédios aprovados para uso no Brasil trata-se de pílula antiviral de via oral, solu√ß√£o possivelmente mais acessível entre as disponíveis e ainda a mais f√°cil de ser manuseada.

No √Ęmbito dos planos de saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula o setor, informou que os medicamentos aprovados pela Anvisa para tratar a covid n√£o foram incorporados ao rol de procedimentos Saúde para uso ambulatorial A cobertura, portanto, n√£o é obrigatória.

As informa√ß√Ķes s√£o do jornal O Estado de S. Paulo.