Vacina brasileira contra a Covid-19 é aplicada pela primeira vez

Vacina brasileira contra a Covid-19 é aplicada pela primeira vez

Primeira aplicação da vacina brasileira

O primeiro a receber a dose da vacina brasileira foi o técnico de seguran√ßa patrimonial Wenderson Nascimento Souza, de 34 anos de idade. A aplica√ß√£o do imunizante foi feita pelo secret√°rio de Pesquisa e Forma√ß√£o Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inova√ß√Ķes (Sepef/MCTI), Marcelo Morales.

Presente na cerimônia, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inova√ß√Ķes, Marcos Pontes, disse que o 13 de janeiro de 2022 é um “dia histórico” tanto para a ciência no Brasil como para os brasileiros.

“Neste ano do bicenten√°rio da independência do Brasil, damos partida na independência do Brasil na produ√ß√£o de vacinas. Estamos em um ponto de inflex√£o na história do Brasil”, disse, ao destacar o papel de resgate que a ciência teve em v√°rios momentos difíceis da humanidade.

Pontes lembrou que existem três tipos de vacinas, as importadas, as licenciadas e as nacionais, aquelas feitas por cientistas brasileiros. “É importante para o país ter soberania, autossuficiência e independência na produ√ß√£o de itens t√£o importantes para a vida dos brasileiros”, disse.

“Daqui para a frente, a gente pode dizer, de forma reduzida, que se o planeta n√£o pode vender vacinas para o Brasil, o Brasil pode vender vacinas para o planeta“, acrescentou.

Vacina

A vacina RNA MCTI CIMATEC HDT é composta de duas partes, que s√£o misturadas antes da aplica√ß√£o: uma molécula de replicon de RNA (repRNA) e uma emuls√£o composta por √°gua e um tipo especial de óleo e moléculas magnéticas, chamada de Lion, que ajuda a proteger a molécula do repRNA e faz o transporte até as células alvo.

Uma vez dentro das células, o repRNA é reconhecido como RNA mensageiros pelos ribossomos, que s√£o estruturas que produzem as proteínas, com as instru√ß√Ķes trazidas pelo RNA. Os ribossomos fabricam inicialmente o replicon, que gera v√°rias cópias de si mesmo e, depois, as proteínas do coronavírus, que s√£o quebradas em pequenos peda√ßos e expostas a nosso sistema imunológico. O organismo ent√£o identifica os fragmentos como algo estranho e passa a produzir anticorpos contra o novo coronavírus.

Segundo o infectologista Roberto Badaró, a vacina brasileira, que é de terceira gera√ß√£o, apresenta alguns benefícios específicos, como o uso de um número menor de componentes, podendo ser aplicada em doses mais baixas e sem a necessidade de imuniza√ß√Ķes seguidas. “Poderemos, em um sequenciamento e com a capacidade de sintetizar em uma única proteína as cinco variantes, ter uma vacina com as cinco variantes, no futuro. Portanto, podemos ter a vacina que rotineiramente ser√° utilizada”, explicou o médico infectologista.

O desenvolvimento pré-clínico e clínico da vacina tem a participa√ß√£o dos Estados Unidos, Brasil e Índia, por meio de parceria entre as empresas HDT BioCorp. (Estados Unidos), Senai Cimatec (Brasil) e Gennova Biopharmaceuticals (Índia). No Brasil, a parceria conta com o apoio da RedeVírus e com o financiamento do MCTI.