Remédio da Pfizer reduz em 37% risco de morte por Covid-19, revela estudo feito no Brasil

Remédio da Pfizer reduz em 37% risco de morte por Covid-19, revela estudo feito no Brasil

Os resultados demonstraram menor incidência de óbitos ou falência respiratória por causa do novo coronavírus entre pacientes que receberam o f√°rmaco (18.1%) em compara√ß√£o aos que receberam o placebo (29.0%). A pesquisa observou os participantes pelo período de 28 dias e administrou o tofacitinibe por via oral.

Considerado padr√£o-ouro (randomizado, duplo-cego e com grupo controle), o estudo foi publicado nesta quarta-feira (16) na revista médica The New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiadas internacionalmente. Ele foi realizado no Brasil pela Academic Research Organization (ARO) do Einstein, em parceria com a Pfizer global.

O médico e coordenador do estudo, Otavio Berwanger, afirma que o tofacitinibe foi administrado no segundo est√°gio da evolu√ß√£o da Covid-19. Ele sucede a manifesta√ß√£o dos primeiros sintomas e ocorre quando o sistema imunológico come√ßa a produzir uma resposta inflamatória exacerbada -é neste ponto em que órg√£os como o pulm√£o e os rins s√£o lesionados.

“O sistema imune é ativado ao entrar em contato com o vírus. Só que, em alguns pacientes, essa ativa√ß√£o vai além da conta. É aí que a gente tem uma "tempestade inflamatória'”, explica Berwanger. “O tofacitinibe age modulando o seu sistema imunológico para prevenir que você fa√ßa essa tempestade. Se usado no momento apropriado, ele evita a les√£o do pulm√£o, mas principalmente a falência respiratória [quando h√° necessidade de ventila√ß√£o mec√Ęnica] e óbitos”, segue.

O médico destaca que o medicamento foi usado apenas após a interna√ß√£o dos pacientes. E que todos os participantes haviam recebido o diagnóstico de infec√ß√£o pelo coronavírus por meio do RT-PCR e apresentavam pneumonia em decorrência Covid-19, identificada em exames de imagem.

Os testes com o tofacitinibe foram conciliados com corticoides, ou seja, n√£o interferiram no tratamento padr√£o j√° adotado pelos hospitais em combate à doen√ßa.

Os eventos adversos observados naqueles que receberam o medicamento foram similares aos dos pacientes que tomaram placebo, o que faz com que seu uso seja considerado seguro pelos pesquisadores.

“N√£o é cura, n√£o é bala de prata, n√£o é o que vai resolver tudo. Solu√ß√Ķes m√°gicas n√£o encontram respaldo na ciência. Mas 37% de redu√ß√£o no contexto que a gente est√° é muito importante”, comemora o médico Otavio Berwanger. “É um paciente que sai mais cedo do hospital, uma família que n√£o perde um ente, é um leito de UTI desocupado, um paciente que pode ser desenvolvido para a sociedade recuperado.”

Berwanger destaca que o estudo n√£o avaliou a resposta do tofacitinibe em casos leves ou graves. “Essas outras perguntas precisariam de um tamnho de amostra [número de pacientes estudados] diferente. É muito bem-vindo que outros grupos fa√ßam esses testes”, segue.

O Xeljanz é considerado um medicamento de alto custo e é disponibilizado pelo SUS. A Pfizer n√£o abre valores, mas ele pode ser encontrado em farm√°cias por pre√ßos superiores a R$ 5 mil.